Viajando com Rodrigo e Sandra

Morro de São Paulo - Bahia

Morro de São Paulo na Bahia, é um daqueles destinos no Brasil que você precisa conhecer. Fica próximo de Salvador mas não é um local muito conhecido. Imagine um lugar onde o som dos motores é substituído pelo barulho das ondas e o ritmo das caminhadas na areia. Localizado na Ilha de Tinharé, na Bahia, Morro de São Paulo é um destino que exige desprendimento: para chegar, é preciso atravessar o mar; para circular, basta seguir o fluxo das marés. Sem carros e com uma logística muito própria, a vila combina o charme rústico de suas ruelas com o azul cristalino de suas cinco praias principais, oferecendo desde o agito da Segunda Praia até o isolamento absoluto da Praia do Encanto.

Como chegar em Morro de São Paulo? Catamarã ou Semi-Terrestre?

O primeiro desafio para nós foi chegar em Morro de São Paulo, próximo a Salvador. Há duas formas de chegar até lá. O catamarã direto de Salvador leva 2h30 e é a opção mais rápida, mas aqui vai um alerta: ele atravessa o mar aberto e o balanço pode ser extremo. Vimos em outros blogs e diversos vídeos que muitas pessoas enjoam e vomitam. 

Se você, assim como eu, sofre com enjoos, o catamarã pode transformar o início da sua viagem em um pesadelo. Por isso escolhemos o semi-terrestre  por Valença. Quando o mar está muito agitado, o próprio serviço de catamarã é suspenso e a empresa responsável leva os passageiros por essa via semi-terrestre.

Embora exija mais trocas de transporte (carro/van + barco), o trajeto pelo canal é muito mais calmo e abrigado. É a escolha lógica para quem preza pelo bem-estar e quer chegar em Morro pronto para aproveitar, sem o mal-estar do balanço marítimo.
Se você decidir ir por conta própria via Valença, como nós fizemos, o aluguel de carro é a melhor forma de ter controle sobre o tempo e evitar as aglomerações dos transfers coletivos. [Consulte aqui os preços na Rentcars].
Caso alugar um carro não é uma opção, você pode comprar o transfer semi-terrestre no site do getyourguide. [Consulte aqui os preços do getyourguide].

Neste trajeto semi-terrestre, o primeiro desafio é atravessar de balsa de Salvador até Itaparica. A empresa responsável pela travessia é a Internacional Travessias (link aqui). Vimos em outros vídeos que seria melhor reservar o ticket antes para evitar filas. Talvez funcione na alta temporada, mas para nós, em Agosto/2022 perdemos dinheiro… Além de ser mais caro reservar pela internet, a única vantagem é entrar numa fila preferencial, além do embarque ser por ordem de chegada. O pior é que tínhamos comprado para uma hora mais tarde. As balsas saem de hora em hora durante o dia. Na época, pagamos R$ 87,36 pela internet com hora marcada para uma hora mais tarde do que havíamos chegado (em Abril/2026, preço atualizado para R$ 143,91) ou R$ 66,00 na hora (um carro pequeno e duas pessoas) (em Abril/2026, preço atualizado R$ 110,70). Para não perder uma hora de viagem, pagamos o ticket novamente e embarcamos.

Dentro da balsa

A travessia é tranquila e dura aproximadamente 1 hora. Vão vários carros e caminhões pequenos, além dos passageiros sem carro. Tem banheiro (um pouco sujo) e vendedores ambulantes vendendo comida e água. Subimos para ver como era a parte de cima.

Na chegada, saímos nas primeiras filas, e seguimos viagem rumo a Valença. As estradas, em Agosto/2022, estavam relativamente boas (exceto em um pequeno trecho). Vimos pelo caminho diversos ônibus de turismo fazendo o mesmo percurso.

 

Vimos em outro vídeo que o melhor é ir para o ancoradouro de Bom Jardim, já que o estacionamento para os carros é mais barato e o local é mais vazio. Isso na baixa temporada. Pois há o risco de o barco que vem de Valença possa estar cheio, mas o trajeto em si é quase o mesmo e os barcos saem de hora em hora, mas dependendo do movimento, pode sair de 30 em 30 minutos.

Mas… decidimos ir para Valença, sem pesquisar muito. Caímos naquele conto de ir atrás de um motoqueiro que aborda os turistas e nos levam para um estacionamento com ‘preço a combinar’. Essa é uma dica valiosa. Perguntar o preço do serviço de tudo antes, para não ser pego de surpresa. O estacionamento é esse da foto, cobraram o triplo do valor praticado na época (era em torno de R$ 30,00 os valores praticados em outros estacionamentos), mas nos cobraram R$ 90,00 a diária, mesmo fora de temporada, e o pior era que não era tão perto da saída do barco. Como já estávamos ali e tínhamos pressa, acabamos pagando caro pela nossa desinformação. O motoqueiro cobrou mais R$ 50,00 pelo ‘serviço a combinar’ e carregar as malas de carrinho de mão.

Barco de Valença até Morro de São Paulo

O ticket para o barco de Valença até Morro de São Paulo custou na época R$ 37,00 por pessoa (em Abril/2026, valores atualizados para R$ 48,00). Só aceita pagamento no débito ou dinheiro (ou Pix dentro do barco). O trajeto é bem tranquilo, pelo rio, e dura aproximadamente 40 minutos.

Chegada em Morro de São Paulo e pagamento da taxa de preservação ambiental

Na chegada a Morro de São Paulo, ficam várias pessoas oferecendo serviços de transporte de malas e passeios. Antes de seguir por Morro de São Paulo é necessário fazer um cadastro e pagar uma taxa de conservação (TUPA), que em Agosto/2022 custou R$ 20,00 por pessoa. Valores atualizados em Abril/2026, é de R$ 70,00 e a partir de Julho/2026 será de R$ 90,00 (essa taxa pode ser verificada nesse site).
 

Subida do Morro de São Paulo

Falando do serviço de carregamento de malas em Morro de São Paulo, que é feito por carrinho de mão, o valor começa por R$ 50,00, mas acaba sendo combinado dependendo da distância da sua pousada e quantidade de malas. Lembre-se que é uma ilha e é chamado de morro porque tem muitos morros para subir e descer. Se tiver pouca bagagem, tiver disposição e a sua pousada ficar até a segunda praia, até vale a pena seguir por conta. Caso tenha muita bagagem ou sua pousada fique na terceira praia em diante, o serviço de carregamento de malas vale muito a pena.

A contratação é a fila deles. Na nossa vez era o Almir que carregou as malas (recomendamos o serviço se você tiver malas pesadas e/ou for da terceira praia para frente, mas não tente contratar antecipadamente com uma pessoa específica). O rapaz nos explicou como funciona a vida por lá. Depois da primeira subida, nos deparamos com uma praça bem simpática, com a sua Igreja, alguns restaurantes, lojas, bancos (Brasil e Bradesco), lotérica, mercados, etc.

Onde se hospedar

Nos levou até a Pousada Ilha do Sol, que ficava na primeira praia. Se quiser conhecer melhor a pousada, clique aqui (não somos patrocinados, fica apenas como informação).

Outra opção que nossos amigos já ficaram em Morro de São Paulo é Villa dos Graffitis Pousada (link aqui) que fica na Segunda Praia. Uma opção mais confortável.

Diferente das cidades maiores, Morro de São Paulo é bem tranquila para caminhar e conhecer, fora de temporada e finais de semana.

Morro tem fama de ser um local caro, da comida e da cerveja. Mas, se pesquisar e andar, saindo do centrinho, consegue fazer compras mais baratas. Os preços dos restaurantes não são muito diferentes dos restaurantes turísticos de Salvador.

 

Como distribuímos nossos passeios?

Primeiro dia – Chegada à tarde e vista do pôr do sol na Toca do Morcego.

Segundo dia – Passeio Volta à Ilha. Vista do pôr do sol no barco.

Terceiro dia – Ida à pé até a Quinta Praia e vista do pôr do sol na Pousada Passárgada

Quarto dia – Ida à Praia da Argila e retorno para Salvador.

Primeiro dia de passeio:

Como chegamos à tarde (lembre-se que no Nordeste, escurece mais cedo que em São Paulo e Curitiba, por exemplo), fomos ver o pôr do sol na Toca do Morcego, que é uma balada, mas que abre mais cedo para as pessoas que querem curtir o por do sol. Abriu as 16h30 e cobraram na época R$ 30,00 por pessoa de entrada (Agosto/2022), mas os preços variam conforme horário, DJ ou músico que estará no local. Valores atualizados em Abril/2026, a entrada custa a partir de R$ 50,00 (pode verificar aqui). Na época só aceitavam pagamento no débito ou dinheiro. Pedimos um baldinho de Heineken (6 latas), que custou R$ 90,00 (ou seja, R$ 15,00 cada latinha).

Pedimos uma porção de Nachos que custou R$ 35,00. Achamos os preços razoáveis para um local badalado e chique.

A vista do pôr do sol é um dos destaques de Morro de São Paulo. Por ser uma ilha, tem-se a visão tanto do nascer do sol quanto do pôr do sol.

 

Uma das informações mais importantes para quem vem de longe para Morro de São Paulo é pesquisar a tábua de marés. Você precisa planejar os passeios com base nos horários de maré baixa.

Falando agora dos passeios, são oferecidos principalmente o “Volta a Ilha” e passeios de quadriciclo. Os dois levam o dia todo. Fizemos apenas o “Volta a Ilha”, que custou R$ 250,00 por pessoa em Agosto/2022 e mais R$ 50,00 por pessoa para reservar. O valor da reserva é devolvido após o passeio. Mas você pode reservar o mesmo passeio pelo getyourguide [link aqui] e ver preços atualizados. Em Abril/2026 o passeio custa em torno de R$ 550,00 por pessoa. É um passeio caro mas que vale a pena.

Os barcos e lanchas partem da terceira praia, que possui um ponto de apoio para os passeios, tem alguns mercadinhos onde você pode comprar mantimentos, como água, refrigerantes, cerveja e salgadinhos… O barco que fomos tinha um cooler embutido embaixo de um dos bancos, mas recomendo que compre um isopor pequeno nas lojas para levar seu itens.

O passeio, por ser parte em mar aberto, e que faz paradas em algumas piscinas naturais, é importante que a maré esteja baixa para poder aproveitar melhor o passeio.

Na nossa vez, a maré estava baixa mas o tempo não ajudou muito. Pegamos uma chuva fina, o tempo não era dos melhores. Acabamos não vendo as famosas piscinas naturais. Essa foto abaixo seriam as piscinas naturais de Garapuá. O passeio às piscinas naturais de Moreré não aconteceram.
Apesar da frustração, o passeio foi melhorando, conhecemos algumas ilhas desertas, e fizemos o passeio guiado por Cairu. 

Aprendemos durante a visita guiada que o termo ‘fazer nas coxas’ remete a esse período, onde as telhas de barro tinham tamanho irregular pois o molde eram as coxas dos escravos. A riqueza era medida pelo beiral das casas. As moradias mais ricas tinham ‘eiras e beiras’. Ai viria a outra expressão ‘sem eira nem beira’, usada para denominar pessoas pobres.

O passeio guiado por Cairu é opcional e em geral os guias pedem apenas ajuda de custo. Na nossa época, pediram R$ 5,00 por pessoa, que é pago no final. Quem nos levou nessa aula de história pela região foi a guia Isadora.

Morro de São Paulo pertence ao município de Cairu. O centro histórico é bem antigo, algumas casas ainda preservadas. 

Essa é uma das construções que são destaques. Ela é formada por arcanjos barrocos e sua construção original denota construção de barro entre os tijolos.

O ponto alto da visita é o Convento e Igreja de Santo Antônio. A lenda da igreja é que você deve entrar pelo lado direito e sai pelo esquerdo se quer continuar casado ou está em busca de um amor.

Igreja de Santo Antonio

Após a visita guiada a Cairu seguimos o caminho. Tomamos uma caipirinha num bar-barco de morango com cacau. Como o barco era menor, nos possibilitou visitar uma nascente e avistamos um pôr do sol de tirar o fôlego.

Pôr do sol do barco
Segunda praia

No outro dia, como mostrado no vídeo do nosso canal no Youtube (link aqui), que caminhamos desde a primeira praia até a quinta praia (Praia do Encanto), aproveitando a maré baixa. É uma caminhada de aproximadamente 7 Km, que só é possível ser feita a pé na maré baixa. No local, são ofertados passeios de charrete, que custavam na época R$ 60,00 por pessoa. 

As praias são lindas. Desde a primeira praia até a quinta praia, é uma mais bonita que a outra. A praia mais agitada é a segunda praia, onde se localizam os principais bares e restaurantes de Morro de São Paulo. 

Na terceira praia, saem os passeios de barco e possui uma pequena estrutura para os visitantes aguardarem o passeio.

As três primeiras praias são próximas umas das outras. A quarta e a quinta praia já é necessário uma boa caminhada para chegar até lá.

Há um restaurante na quinta praia que pode ofertar transporte de volta para o centrinho, desde que almoce e consuma algum valor (na época, foi em torno de R$ 200,00).

O mangue é o local onde se a maré estiver cheia não será possível atravessar para a praia seguinte.

Foi uma vitória para nós, caminhamos 7 km por lugares incríveis, uma rica experiência.

Quinta praia
Mangue - Caminho até a Quinta praia
Chegada até a Quinta praia

Pedimos uma cerveja e um peixe com arroz e pirão para almoçar para garantir a carona da volta. O carro vai para a segunda praia apenas no final da tarde.

Se você não quer esperar ou consumir no restaurante, os serviços de charrete ficam aguardando turistas para a volta também, como fizeram nossos conhecidos de mesa, que voltaram de charrete. Se um dia eles verem esse post, a foto deles está ai, uma grande recordação.

Volta com o carro do restaurante
Volta de charrete dos nossos conhecidos

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